ASTRONOMIA NA ANTIGUIDADE
A ciência surgiu quando o primeiro ser pensante, ao se dar conta da sua
insignificância, entrou em contemplação, ante o espetáculo do céu
estrelado.
É
impossível dizer onde e quando começou o estudo científico do universo.
Provavelmente, em todo lugar ao mesmo tempo, pois a observação dos astros é
um dos primeiros sintomas da curiosidade intelectual. Mas é no Egito que vamos
encontrar os primeiros astrônomos e, também na Mesopotâmia, país localizado
entre os rios Tigre e Eufrates, entre povos como os sumerianos, os assírios, os
babilônios, que nos transmitiram a astronomia, a matemática, geometria,
medicina, o zodíaco, os livros, as bibliotecas, a literatura, arquitetura, a música,
o relógio, o calendário, a escultura e outros.
Os adivinhos
são, com efeito, os personagens básicos da vida mesopotâmica. Uns observam o
comportamento e o vôo das aves, outros o movimento do óleo na água, as
volutas de fumaça que sobem de um turíbulo, os órgãos dos diversos animais
sacrificados - principalmente o fígado - os sonhos e as estrelas cadentes. Mas,
acima de tudo – e eis o que nos interessa – perscrutam o céu tão límpido
da Babilônia. Perdem-se na sua contemplação. Estudam os cursos da Lua e dos
planetas e, suas posições relativas. Para eles, tudo são presságios, no céu:
cada planeta tem as suas virtudes e pode-se saber, através das conjunções
astrais, o que vai acontecer no mundo, prever os grandes cataclismos naturais,
as epidemias, as guerras, a importância das cheias e, a partir do século V
a.C., até fazer horóscopos e prever o desenrolar de uma vida humana.
Parece difícil
de crer, mas foi desse amontoado de ritos, dessas superstições delirantes, que
nasceu a ciência.
Deixemos
agora o reino das superstições. Aos poucos, os templos vão-se transformando
em observatórios, como o da Babilônia, que é consagrado ao movimento dos
planetas. Os magos caldeus, de tanto olhar para o céu a fim de poder fazer
presságios, aprendem a conhecer as grandes leis da mecânica celeste. Os
verdadeiros astrônomos foram o caldeus que
habitavam a Caldeia, formada pelas
cidades de Ur, Beinstun e parte da Babilônia, na parte inferior da Mesopotâmia.
O seu mérito não é pequeno, pois os instrumentos de que dispõem são
rudimentares. O "gnômon", ou quadrante, não passa de uma vara com a
qual se observa a sombra: a mais curta a hora do meio-dia; a mais curta de todo
o ano permite reconhecer o solstício de verão, a mais longa, o solstício de
inverno. Conhecem também o relógio d`água (a clepsidra) e, sobretudo, o
"pólo", vasta semi-esfera, cuja parte côncava é voltada para o céu
e acima da qual está suspensa uma pequena bola. Basta seguir o movimento da
sombra dessa bola sobre a superfície côncava, para acompanhar o movimento do
Sol e determinar a data dos equinócios e dos solstícios.
É tal o gênio
dos astrônomos mesopotâmicos, que eles conseguem, com a ajuda desses
instrumentos rudimentares, determinar a complicada marcha dos planetas, que a
primeira vista parecem seguir rotas completamente irracionais. Realizam observações
fazendo anotações cuidadosas de eclipses, conjunções lunares, conjunções
planetárias e cálculos de posicionamento no espaço da Terra e da Lua.
Organizam um calendário lunar notavelmente exato.
O ano é dividido em 12 meses lunares, totalizando 354 dias – divididos
em 12 partes iguais – para equilibrar as contas periodicamente intercalam um décimo
terceiro mês. Criam o período de SAROS, composto de 18 anos e 11 dias e que
compreende 223 lunações, 71 eclipses, dos quais 43 são eclipses solares e 28
são eclipses lunares. Foram eles que desenvolveram o zodíaco tal como
conhecemos hoje.
Mas a sua visão
do universo era de um mundo fechado, relativamente pequeno, cercado de água
por todos os lados, abaixo mas também a cima do firmamento estrelado. O que tem
a vantagem de explicar a chuva, que cai através de orifícios, e as fontes, que
brotam do solo.
Os aqueus, fugindo da barbárie Dória, se refugiam no litoral da Ásia Menor onde se localizava a cidade de Mileto (hoje Turquia), cidade mãe de sessenta cidades, mas que brilha com uma luz incomparável, em meio as cidades irmãs. É em Mileto que nasce uma ciência mais autêntica que a dos mesopotâmicos, pois é mais livre das superstições primitivas.
Mileto é a cidade herdeira da mesopotâmia e, principalmente do egito, onde viajantes gregos entram em contato com os sacerdotes que lhes transmitem os resultados de suas observações do céu. Aprenderam com eles a manejar o "merkhet", instrumento feito de uma simples nervura de palmeira e de um fio de prumo, que permite determinar a posição das estrelas nas diversas horas da noites e nas diferentes estações. Tomaram conhecimento da cosmologia egípcia, ainda muito primitiva, segundo a qual o mundo é uma grande caixa retangular, de que a Terra forma o fundo e no centro da qual se encontra o Egito. Do céu achatado ou, segundo certas escolas, em forma de abóbada, descem as luminárias, suspensas por cordas. O Nilo é apenas um braço de um rio imenso que envolve a Terra e, se a Lua vai diminuíndo até desaparecer completamente, é porque é devorada por uma enorme porca. Com exceção da porca, vamos encontrar uma cosmologia semelhante na Grécia.
Os gregos vêem a Terra como um disco achatado, rodeado por todos os lados pelo rio Okeanos (oceano) e recoberto pelo firmamento em forma de sino, ao passo que o Hades, ou país dos mortos, se encontra nas regiões inferiores.
Um desses viajantes gregos foi Tales de Mileto que viveu no século VI a.C., ele ainda acreditava que a Terra flutua sobre o oceano (disco plano boiando sobre a água), mas percebe que a Lua só brilha porque reflete a luz solar. Torna-se famoso ao prever com exatidão um eclipse solar ocorrido a 28 de maio de 525 a.C. (há duvidas sobre a veracidade dessa informação). Tales foi o primeiro a afirmar que o mundo se origina de uma única substância, para ele o elemento primordial era a água, isto é, tudo nasce da água. Por mais ingênuo que nos pareça, é preciso lembrar que para quem tivesse viajado pelo Egito e observado a terra estéril ser rejuvenescida pelas inundações do Nilo, essa parece uma idéia racional. Ele procura compreender de que é feito o Universo, como se formou e, já não aceita as idéias baseadas na superstição ou na mitologia, ou seja, usa um ponto de vista tão científico quanto lhe era possível.
Anaximandro, discípulo de Tales afirma que a Terra é
uma coluna cilindrica rodeada de ar. O céu de Anaximandro é composto de
diversas camadas a exemplo de um tronco de árvore, entre essas camadas estariam
os corpos celestes. O Sol seria um orifício em uma gigantesca esfera coberta de
fogo, essa esfera giraria em torno da Terra, fazendo assim o Sol percorrer sua
órbita em torno de nosso planeta. As estrelas também seriam orifícios por
onde passava a luz. É o primeiro a afirmar
que a Terra não repousa em nada, mas se mantém suspensa no espaço. Também é
o responsável pelo primeiro mapa do mundo, cuja superfície imaginou ser curva.
Infelizmente não percebeu que era curva, em todos os planos, pensando que
lateralmente fosse como o tambor de uma coluna. Nós habitavamos apenas a
superfície superior desse tambor. Baseado em suas
observações percebeu que o Sol era muito maior que a Terra. Segundo seus
cálculos o Sol era vinte e oito vezes maior do que a Terra (na verdade passa de
cem vezes). Mas levando em conta que não dispunha de instrumentos, a não ser
seus olhos, foi um cálculo notável.